Executivos estariam blindando Vale em caso de Brumadinho

Sarah Torres/ALMG

Blindagem dos executivos em relação à Vale: foi assim que os deputados da CPI da Barragem de Brumadinho da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) definiram os testemunhos dos funcionários ouvidos até agora. Na manhã desta quinta-feira (23/5/19), mais dois executivos da empresa prestaram depoimento: Joaquim Pedro de Toledo, gerente-executivo de Planejamento e Programação do Corredor Sudeste, e Alexandre de Paula Campanha, gerente-executivo de Geotecnia Corporativa.

Os funcionários da Vale têm sido convocados pela CPI para esclarecer o contexto em que a Barragem B1 da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (Região Metropolitana de Belo Horizonte), se rompeu em 25 de janeiro deste ano e matou quase 300 pessoas.

Os dois executivos ouvidos esta manhã mantiveram o tom dos que se pronunciaram anteriormente, alegando que não tinham conhecimento de dados que pudessem ajudar a antever o rompimento. Os eventos na barragem anteriores à tragédia que já são de conhecimento público, como excesso de líquido durante a instalação do 15º dreno em obras no local, foram tratados como incidentes contornados pela equipe e que não necessitavam de mais atenção.

Eles também disseram que setores diferentes dos seus eram responsáveis por atestar a segurança da barragem, repetindo estratégia evidenciada pelos deputados anteriormente, por meio da qual cada gerência jogaria para outra a culpa, não permitindo que níveis hierárquicos superiores, como diretores da mineradora, sejam implicados.

Alexandre Campanha foi taxativo em dizer que a responsabilidade pelo monitoramento e controle das barragens era da gerência de Geotecnia Operacional, cujos funcionários já foram ouvidos pela CPI, ocasião na qual eles também isentaram o setor que representam de responsabilidade.

Joaquim de Toledo foi questionado sobre um e-mail atribuído a ele, no qual se leria “a (barragem) B1 é mais tenebrosa do que se imagina”. Apesar de confirmar a autoria da frase, ele negou que representasse conhecimento sobre os riscos de rompimento. O engenheiro afirmou que escreveu tal e-mail depois de ser informado sobre a existência de um bloco mineral na barragem, mas depois foi esclarecido que tal bloco estava a jusante, e não na estrutura, fato que o teria tranquilizado.

Fonte: ALMG